Notice: Function _load_textdomain_just_in_time was called incorrectly. Translation loading for the health-check domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/u249530162/domains/blogpontodevista.com/public_html/old_blogpontodevista/wp-includes/functions.php on line 6170

Notice: A função _load_textdomain_just_in_time foi chamada incorretamente. O carregamento da tradução para o domínio magone foi ativado muito cedo. Isso geralmente é um indicador de que algum código no plugin ou tema está sendo executado muito cedo. As traduções devem ser carregadas na ação init ou mais tarde. Leia como Depurar o WordPress para mais informações. (Esta mensagem foi adicionada na versão 6.7.0.) in /home/u249530162/domains/blogpontodevista.com/public_html/old_blogpontodevista/wp-includes/functions.php on line 6170
Saber que a COMPESA foi comparada a como pegar ônibus é para pedir “parem o mundo, que eu quero descer”, por Ermes Costa – Blog Ponto de Vista
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Saber que a COMPESA foi comparada a como pegar ônibus é para pedir “parem o mundo, que eu quero descer”, por Ermes Costa

Por Ermes Costa* Em entrevista a um veículo de grande repercussão de Pernambuco, no dia 20 de outubro, o novo presidente da COMPESA afirmou: "Eu poderia fazer aqui uma comparação simples, para ser melhor entendido, com o serviço de transporte coletivo." É estarrecedor que ele tenha comparado os serviços da companhia com os de transporte público metropolitano. O espanto é tremendo. Quando pensávamos que tínhamos visto de tudo para sucatear a companhia, damos de cara com mais um absurdo. Esse tipo de comparação denota o quanto o executivo não se dá conta da necessidade do serviço de água e esgotamento sanitário para a população. Diante de tal afirmação escabrosa, se faz necessário explicar o quanto essa comparação é distópica. No serviço de transporte metropolitano, o usuário pode muito bem utilizar uma empresa ou outra para fazer o seu deslocamento, mais além, tem a possibilidade de simplesmente não pegar um ônibus para ir de um ponto a outro da Região Metropolitana do Recife, podendo fazer o trajeto por meio de aplicativos, bicicleta, táxi. No caso da COMPESA, o serviço é monopolista, somente os canos da companhia podem colocar água nas torneiras do povo de Pernambuco. Além disso, a água é um bem natural essencial para a vida. Não existe a opção de ficar sem água para o pernambucano, como acontece com o transporte público. Considerando a comparação feita pelo presidente da COMPESA, o transporte público metropolitano é a prova cabal de que simplesmente entregar um serviço público à iniciativa privada não é solução para absolutamente nada. Basta ver o sofrimento diário dos usuários em terminais e ônibus lotados. Veículos de péssima qualidade e quantidade aquém da demanda diária, terminais sucateados e a segunda passagem mais cara entre as capitais do país são alguns dos pontos que constatam o quanto andar de ônibus é um tormento. A COMPESA investiu cerca de R$ 10 bilhões em 12 anos, de acordo com relatórios anuais de administração da companhia, e é tida como uma das mais eficientes do setor. Ao contrário do que vem sendo propagandeado com alarde pelos políticos da direita, a empresa é lucrativa e isso desperta a cobiça do setor privado. Os privatistas querem se apropriar da companhia, elevando as tarifas para obterem lucro. E falar que a concessão da distribuição de água e esgotamento sanitário não é privatização é querer subestimar a inteligência alheia. É, sim, privatizar e esse modelo já se mostrou fracassado em Alagoas e no Rio de Janeiro. A água nem pinga nas torneiras e as contas estão mais caras, sobretudo aos mais pobres. Fora a falta de transparência e controle social. No Rio, após a privatização da Cedae, o percentual de tratamento de esgoto caiu 7% entre 2020 e 2021, conforme levantamento do Sindicato. Quando analisamos a situação em Alagoas, a cobertura de água tratada diminuiu, o aumento foi no preço das tarifas e nas reclamações da população. Sobre o Marco Legal do Saneamento (Lei 14026/2020), a medida é extremamente danosa para a população de periferias, zonas rurais e municípios pequenos que ficam distantes das fontes de água. Essa Lei gerou a nova definição da titularidade dos serviços públicos de saneamento básico, que afeta a organização e a autonomia dos Municípios e do Distrito Federal. Indo mais além, impede aos entes federados (estados) o direito constitucional de implementar a cooperação interfederativa e a gestão associada de serviços públicos, com a vedação da celebração dos Contratos de Programas. O Marco Legal impõe a obrigatoriedade de estabelecer a regionalização, desobedecendo instrumentos previstos nos Artigos 25, § 3º e 241 da Constituição Federal. Para piorar, o acesso aos recursos para a implementação deste novo modelo, obriga aos estados a alienação dos ativos das empresas públicas (privatização) e a realização de concessões e PPPs, que são prerrogativas e não podem ser impostas aos entes. Dizer que a COMPESA está se preparando bem para o Marco Legal, é afirmar que ela está sendo embalada para ser dada de presente à iniciativa privada. Se ainda não alcançamos a universalização do serviço, não será com a presença de um atravessador privado que chegaremos lá. Sigo batendo na tecla de que a COMPESA tem de seguir pública, sendo fortalecida para garantir água e esgotamento sanitário à população a um baixo custo, pois este é um dever de Estado. O povo não tem escolha. Água nunca será como pegar um ônibus. * Engenheiro da COMPESA e secretário de Habitação do Recife

Ermes Costa Partido dos Trabalhadores

Por Ermes Costa*

Em entrevista a um veículo de grande repercussão de Pernambuco, no dia 20 de outubro, o novo presidente da COMPESA afirmou: “Eu poderia fazer aqui uma comparação simples, para ser melhor entendido, com o serviço de transporte coletivo.” É estarrecedor que ele tenha comparado os serviços da companhia com os de transporte público metropolitano. O espanto é tremendo. Quando pensávamos que tínhamos visto de tudo para sucatear a companhia, damos de cara com mais um absurdo. Esse tipo de comparação denota o quanto o executivo não se dá conta da necessidade do serviço de água e esgotamento sanitário para a população. Diante de tal afirmação escabrosa, se faz necessário explicar o quanto essa comparação é distópica.

No serviço de transporte metropolitano, o usuário pode muito bem utilizar uma empresa ou outra para fazer o seu deslocamento, mais além, tem a possibilidade de simplesmente não pegar um ônibus para ir de um ponto a outro da Região Metropolitana do Recife, podendo fazer o trajeto por meio de aplicativos, bicicleta, táxi. No caso da COMPESA, o serviço é monopolista, somente os canos da companhia podem colocar água nas torneiras do povo de Pernambuco. Além disso, a água é um bem natural essencial para a vida. Não existe a opção de ficar sem água para o pernambucano, como acontece com o transporte público.

Considerando a comparação feita pelo presidente da COMPESA, o transporte público metropolitano é a prova cabal de que simplesmente entregar um serviço público à iniciativa privada não é solução para absolutamente nada. Basta ver o sofrimento diário dos usuários em terminais e ônibus lotados. Veículos de péssima qualidade e quantidade aquém da demanda diária, terminais sucateados e a segunda passagem mais cara entre as capitais do país são alguns dos pontos que constatam o quanto andar de ônibus é um tormento.

A COMPESA investiu cerca de R$ 10 bilhões em 12 anos, de acordo com relatórios anuais de administração da companhia, e é tida como uma das mais eficientes do setor. Ao contrário do que vem sendo propagandeado com alarde pelos políticos da direita, a empresa é lucrativa e isso desperta a cobiça do setor privado. Os privatistas querem se apropriar da companhia, elevando as tarifas para obterem lucro.

E falar que a concessão da distribuição de água e esgotamento sanitário não é privatização é querer subestimar a inteligência alheia. É, sim, privatizar e esse modelo já se mostrou fracassado em Alagoas e no Rio de Janeiro. A água nem pinga nas torneiras e as contas estão mais caras, sobretudo aos mais pobres. Fora a falta de transparência e controle social. No Rio, após a privatização da Cedae, o percentual de tratamento de esgoto caiu 7% entre 2020 e 2021, conforme levantamento do Sindicato. Quando analisamos a situação em Alagoas, a cobertura de água tratada diminuiu, o aumento foi no preço das tarifas e nas reclamações da população.

Sobre o Marco Legal do Saneamento (Lei 14026/2020), a medida é extremamente danosa para a população de periferias, zonas rurais e municípios pequenos que ficam distantes das fontes de água. Essa Lei gerou a nova definição da titularidade dos serviços públicos de saneamento básico, que afeta a organização e a autonomia dos Municípios e do Distrito Federal. Indo mais além, impede aos entes federados (estados) o direito constitucional de implementar a cooperação interfederativa e a gestão associada de serviços públicos, com a vedação da celebração dos Contratos de Programas.

O Marco Legal impõe a obrigatoriedade de estabelecer a regionalização, desobedecendo instrumentos previstos nos Artigos 25, § 3º e 241 da Constituição Federal. Para piorar, o acesso aos recursos para a implementação deste novo modelo, obriga aos estados a alienação dos ativos das empresas públicas (privatização) e a realização de concessões e PPPs, que são prerrogativas e não podem ser impostas aos entes.

Dizer que a COMPESA está se preparando bem para o Marco Legal, é afirmar que ela está sendo embalada para ser dada de presente à iniciativa privada. Se ainda não alcançamos a universalização do serviço, não será com a presença de um atravessador privado que chegaremos lá. Sigo batendo na tecla de que a COMPESA tem de seguir pública, sendo fortalecida para garantir água e esgotamento sanitário à população a um baixo custo, pois este é um dever de Estado. O povo não tem escolha. Água nunca será como pegar um ônibus.

* Engenheiro da COMPESA e secretário de Habitação do Recife

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